
Visitar Kioto é chegar às entranhas do Japão. É como abrir as portas do tempo e voltar séculos atrás. Kioto é grande e é grandiosa. Imperial e majestosa. è a cidade com a maior densidade patrimonial do planeta.Segundo a Unesco possui cerca de 1600 templos, 250 santuários e mais um bom número de palácios, vilas imperiais, pagodes, jardins e parques.
Originalmente chamava-se “Heian-kyo”, onde “kyo” significa capital e “heian” significa paz. Kioto é, portanto, a “capital da tranquilidade”, assim chamada e fundada para fugir às intrigas que rodeavam Nara. A hoje moderna e efervescente Kyoto, com os seus 1,5 milhões de habitantes, é a mais popular atração turística do Japão.
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O único pedinte que vi no Japão |
O centro antigo é a materialização do nosso imaginário. É o que melhor correspondente àquilo que pensamos ser o Japão antigo. É o mundo das gueixas e dos samurais. É a cidade dos mil e um templos budistas, dos toriis, dos santuários xintoístas e dos incríveis jardins Zen.
Kioto tem uma incomparável beleza e transborda personalidade.E não encontra paralelo em nenhuma
outra cidade japonesa.
Kioto ocupa um lugar relevante na história e na cultura do Japão. Todo seu esplendor se deve à era Edo, era dos shogunatos. Foi nela que o imperador se viu submetido à ditadura shogun, os senhores da guerra. O primeiro deles foi Tokugawa Ieyasu, que unificou o poder sobre as 4.000 ilhas do arquipélago e estableceu seu quartel general em Edo, atual Tokio, e também fechou o país e seus portos ao Ocidente por
centenas de anos.
NOS tempos de Edo era proibido construir mais de dois andares, por isso são tantas as pequenas e geminadas casas de madeira nas ruas tão estreitas. São pequenas e frágeis, graciosas. Guardam mistérios.
E se a alma de Kioto está nos seus templos, o coração fica nos seus jardins. Grandes, pequenos, médios, com e sem plantas, de areia e pedra, para pisar ou contemplar, secos, molhados, públicos ou privados, eles dão à cidade seu caráter tão distinto. Os jardins são dos templos mas é como se fossem da cidade.
PARA conhecermos a alma da cidade é necessário atravessarmos o Rio Kamogawa e entrarnos no Bairro Higasiyama, a linha divisória que separa o moderníssimo do antiquíssimo. Bendita linha divisória! Se não fosse ela Kioto não teria resistido a tantos incêndios que por tantos séculos assolaram a parte antiga da cidade imperial, onde encontram-se alguns de seus templos mais bonitos, além do Bairro de Gion, onde vivem as gueixas. Bendita água que tantas vezes segurou a fúria do fogo.