quinta-feira, 14 de novembro de 2013

NAGASAKI - O JARDIM GLOVER

A última visita que faríamos nesta cidade e no Japão seria ao Jardim Glover. É um belo  parque construído para Thomas Blake Glover, um empresário escocês, que  no século XIX contribuiu para a modernização do Japão  desenvolvendo por exemplo a construção naval e a prospecção de carvão.


A residência de Thomas Blake Glover é uma lindíssima casa de estilo ocidental, a mais antiga que resta naquele país





A acção da célebre ópera de Puccini, Madame Butterfly, passa-se em Nagasaki e relata uma relação trágica entre um oficial da marinha americano e Cio-Cio-San (butterlfy ou borboleta), uma gueixa de 15 anos.
Na foto pode-se ver o final do sistema de escadas rolantes
Entre 1915 e 1920, o papel de Cio-Cio San foi interpretado por uma célebre cantora japonesa, Tamaki Miura, e há uma estátua sua, e outra de Puccini, no magnífico Jardim Glover que se situa numa colina sobre Nagasaki e ao qual se acede por um dos maiores e mais íngreme complexo de escadas rolantes, que alguma vez me foi dado ver e utilizar.


Este Jardim de Glover, possui uma vista privilegiada da cidade por situar-se na encosta de uma montanha e actualmente é um museu visitado por milhares de turistas todos os anos.





À medida que descíamos os socalcos do jardim a vista sobre o nosso navio era cada vez melhor...dirigiamo-nos para ele pois iríamos partir para Xangai..


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

NAGASAKI - MUSEU DA BOMBA ATÓMICA ( 2)


Continuando a percorrer o museu é-nos apresentada a história das pessoas que morreram naquele dia. Sem demagogia e praticamente enfiando o dedo na ferida, apresentam-nos imensos murais  com fotos de deformações, fotos da cidade antes e durante o ataque, como também fotos de feridos e mortos espalhados pela cidade. Podemos ver muitas peças como marmitas, capacetes, brinquedos, entre outros itens pessoais, de pessoas que não conseguiram sobreviver após este holocausto. Todos os itens foram doados pelos familiares das vitimas.
Uma garrafa de cidra...
 A angústia sufoca ainda mais ao lermos a história da maioria das crianças que morreram naquele dia. São histórias do quotidiano, que poderiam ocorrer em qualquer lugar do mundo, mas que foram interrompidas, pela falta de sensatez de lideres de governos equivocados sobre o valor de um ser humano. É de quebrar o coração, ler histórias, sobre pais desesperados procurando  um filho que não existe mais no local  onde apenas uma marmita queimada com as iniciais do filho foi encontrada. .
O museu da bomba atómica de Nagasaki,  conta nos diversas histórias, sendo cada item mais chocante que o outro, como o capacete de um soldado,e desse soldado sobraram apenas pedaços de crânio presos no mesmo.Outra história chocante foi o de uma criança que anotou na parede, o numero de parentes da sua família que morreram. Essa era uma forma precária de enumerar os mortos naquela época...essa criança morreu logo depois...
É uma visita arrepiante  mas é uma lição a aprender, sendo recomendável a todos que façam isso. Lá, estavam crianças, adolescentes e adultos, visitando o museu para aprender a importância desse momento e para que ele nunca mais se repita...
 




Na secção seguinte do museu dirigida à pedagogia e educação, podemos ver componentes da bomba, quantas bombas existem no mundo, os tratados sobre o fim da guerra nuclear, como cartas de proibição do governo americano sobre as bombas , entre outras coisas. Diversas salas apresentam  documentários sobre o ataque de Hiroshima e Nagasaki.
É primordial para qualquer pessoa que visite o Japão pela primeira vez ter a chance de aprender mais sobre os erros dos seres humanos...eu aprendi..





NAGASAKI - MUSEU DA BOMBA ATÓMICA (1)


Não foi fácil, visitar um local que reproduz nos mínimos detalhes, as características do dia do ataque. A sensação de incômodo é pertinente vai-se acentuando à medida que entramos no Museu.
 A entrada no museu faz-se através de um hall que descemos em circulo até chegarmos a uma zona de penumbra...estamos a descer para a zona de impacto sensorial...

Todos os nossos sentidos vão ser  abalados pelo museu. O primeiro certamente é a audição, quando entramos num ambiente escuro e ouvimos o som de aviões da Segunda Guerra combinados com o tique taque de um relógio. A peça principal nesta zona do museu é o relógio deformado pelo calor da bomba. 
Tudo isto antes de  entrarmos num enorme corredor, aonde se veêm pedaços da cidade que foram reproduzidos exatamente, como ficaram após a bomba: vultos de corpos desintegrados, escadas de metal retorcido, a  fachada da igreja original de Urakami totalmente destruída, entre outras partes da cidade em estado lastimável. 
E  o som do avião  torna-se cada vez  mais forte, ensurdecedor.. o ambiente é escuro e o cenário  reproduz o caos. A  emoção é tremenda e a angústia toma conta de nós...terrível...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

NAGASAKI - EPICENTRO DA EXPLOSÃO DA BOMBA ATÓMICA

Estávamos no Parque da Paz
Descemos umas escadas bem floridas para atingirmos o patamar onde a 9 de Agosto de 1945 às 11.02 a bomba atómica explodiu.

 O monolito negro marca o hipocentro.










A rajada forte de vento, os raios de calor atingindo milhares de graus e a radiação mortal gerados pelo impacto da explosão, queimaram e mataram tudo ao redor, reduzindo toda esta área a um campo estéril de entulho.




Cerca de um terço da Cidade de Nagasaki foi destruída e 150.000 pessoas morreram ou foram feridas e dizia-se na época que esta área seria desprovida de vegetação por 75 anos. Hoje, o hipocentro permanece como um parque internacional da paz e como um símbolo pelo anseio da harmonia mundial.
 Em todo o parque respira-se paz e o silêncio impera...


domingo, 3 de novembro de 2013

PARQUE DA PAZ EM NAGASAKI - TRIBUTO ÀS VITIMAS DA BOMBA ATÓMICA

Este parque foi construído em 1955 próximo ao hipocentro da explosão, onde ainda é possível ver as ruínas da Catedral Urakami, que era a maior igreja localizada no leste da Ásia na época.




 A norte do parque fica a escultura de Seibo Kitamura, com cerca de 10 metros de altura. A mão direita da estátua aponta ao céu em lembrança da ameaça nuclear enquanto que a esquerda permanece estendida simbolizando a paz. A face calma simboliza a graça divina e seus olhos semi-cerrados oferecem uma prece as almas das vítimas da bomba. A perna direita dobrada e a esquerda estendida significam a meditação e a iniciativa de juntar forças e salvar as pessoas do mundo. Em frente a estátua está um cofre de mármore preto com os nomes da vítimas e dos sobreviventes que morreram nos anos seguintes.




Construída em agosto de 1969 e localizado a sul do parque está a Fonte da Paz, como uma prece as almas de várias vítimas da bomba atômica que morreram em procura por água, servindo também como um dedicatória a paz mundial. Linhas de uma poema de uma garota chamada Sachiko 



























Yamaguchi, que tinha 9 anos na época do bombardeio estão gravadas numa placa de pedra negra em frente a fonte, com os dizeres:











" Eu estava com uma sede insuportável. Havia algo oleoso na superfície da água, mas eu a queria tanto que bebi assim mesmo."









quarta-feira, 30 de outubro de 2013

NAGASAKI

Depois de várias horas de navegação aportámos à última cidade que íamos conhecer no Japão- Nagasaki.
Sabe tão bem quando ouvimos dizer que fomos nós portugueses que a fundámos, mas ao mesmo tempo sinto sempre uma tristeza pelo que fomos e pelo o que somos agora...
Em 1570 os navegadores portugueses — que aportaram pela primeira vez no Japão em 1543 — fundaram a cidade de Nagasaki, na baía do mesmo nome, onde passaram a habitar. Criaram um centro comercial que durante muitos anos foi a porta do Japão para o mundo, um porto comercial para os ingleses, holandeses, coreanos e chineses. Mas em 1637 devido a uma grande reação interna, os portugueses foram expulsos assim como outros povos ao longo do século XVII.




Dotada pela natureza de um belo porto natural, esta cidade foi o cenário da ópera "Madame Butterfly" de Puccini. Apesar disso, a cidade de Nagasaki só ficou mundialmente conhecida em 1945, por ter sido quase totalmente destruída no dia 9 de Agosto, após sofrer um ataque com a segunda bomba atômica, lançada pelos Estados Unidos.
 



Fotos do museu da bomba atómica

sábado, 26 de outubro de 2013

O MONTE FUJI...FUGIU??


Lago Ashinoko, em Hakone, Kanagawa Ken
FOTO RETIRADA DA NET
Montanhas são poderosos símbolos, morada dos deuses onde os homens encontram o divino. O Monte Fuji, na fronteira das províncias de Shizuoka e Yamanashi, é um pouco mais que isso. É a própria imagem do Japão, reverenciada por mestres da pintura, poetas e músicos, impressa em imagens clássicas das xilogravuras ukiyo-e e admirada por dezenas de milhares de montanhistas que ascendem seus 3776 metros de altura todos os anos.
Tamanha devoção levou a Unesco a declará-la Patrimônio da Humanidade na categoria "cultural" em 2013, um forte indício do poder de suas formas e sua forte influência sobre a cultura japonesa.









Para o turista comum, há duas formas de conhecer este vulcão inativo desde 1707: contemplando suas formas simétricas de bem longe ou encarando a longa subida até sua cratera. apinhada de excursionistas durante o período oficial de escalada, sempre no verão, quando as neves de seu cume derretem..



Claro que nós íamos tentar vê-lo do lago Ashi conhecido também por Ashinoko e Lago Hakone. Este é um dos lagos mais conhecidos no Japão, formado há mais de 60 mil anos atrás por erupções vulcânicas ...
Neste lago navegámos num barco "pirata" mas como chovia e a neblina era intensa sabíamos que as nossas expectativas de ver o Fuji eram nulas...


As margens do lago tinham vegetação com um belo colorido mas...não era isso que nós queríamos ver...




e à medida que o passeio pelo lago se aproximava do fim e deixámos o barco a frustração tomou conta de nós...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

OWAKUDANI - O GRANDE VALE FUMEGANTE E A LENDA DO OVO PRETO

O tempo não estava bom mas mesmo assim tentámos ir ver um dos ícones japoneses  - o monte Fuji
Passaríamos primeiro por Owakudani (大 涌 谷)  que em japonês significa literalmente "o grande vale fervente" ..E não é de admirar! pois é um vale vulcânico com géiseres activos de água sulfurosa. 









Apanhámos um teleférico para chegar ao alto da montanha..













Owakudani fica localizado num vale vulcânico, formado por caldeiras de água quente natural. O local está cheio de piscinas naturais que soltam vapores quentes carregadas de sulfeto de hidrogênio e dióxido de enxofre. A paisagem circundante é formada por muitas montanhas. Claro que o cheiro ambiental não é agradável...e a chuva começava a cair com intensidade..



Mas além das suas águas termais, há outra razão responsável por atrair uma multidão ao local. É o Kuro Tamago (ovo preto), um alimento muito popular na região. A razão dos ovos terem esta cor negra é porque são cozidos em águas vulcânicas compostas por enxofre.

A procura é tão grande que existem filas gigantescas do lado de fora de qualquer uma das lojas que vendem o Kuro Tamago em Owakudani. 







Mas  porque é que o Kuro Tamago é tão popular, mesmo tendo um aspecto tão estranho?

É por causa de uma lenda antiga que diz que se uma pessoa comer um Kuro Tamago, prolongará  a sua vida por mais 7 anos. Melhor ainda se comer dois Kuro Tamago serão 14 anos a mais. O tal poder viria de uma estátua Jizo (Enmeijizoson) que transfere a longevidade aos ovos durante o seu cozimento nas águas termais.









Lenda ou não, o facto é que a maioria das pessoas que vão até Owakudani, acredita de verdade nos poderes medicinais do Kuro Tamago. Mais do que isso, acreditam que o Kuro Tamago é de facto um verdadeiro elixir da juventude e da longevidade.
Mas por ser cozido no enxofre não faz mal à saúde? Bom, apesar das cascas dos ovos ficarem pretas devido a uma reação química causada pelo enxofre, os especialistas dizem que os ovos podem ser consumidos sem problemas, já que pequenas quantidades de enxofre são frequentemente utilizados na medicina.










Apesar do enxofre causar um odor nada agradável, pouco interfere no sabor do ovo. Ao descascar o ovo, o que se encontra é um ovo cozido como qualquer outro, embora digam que a diferença está nas propriedades especiais do Kuro Tamago, que ajudam a melhorar a saúde geral e a expectativa de vida.
Porém, segundo a lenda, só se pode comer no máximo dois ovos e meio para garantir 17,5 anos de sobrevida. Ou seja, não é recomendável comer mais do que isso. Não descobri o porquê. Mas fica uma pergunta no ar: será que o Kuro Tamago é um dos segredos de longevidade dos japoneses?