segunda-feira, 9 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - ORONGO e CULTO DO HOMEM PÁSSARO

                  Nos arredores do vulcão Rano Kau, num lugar chamado Orongo, os antigos rapanui  instalaram a aldeia cerimonial mais importante de Páscoa, onde cultivaram entre os séculos 11 e 17 o mito do homem-pássaro, ritual de forte conotação de fertilidade e poder. Reza a lenda que líderes dos principais clãs nadavam até uma pequena ilha chamada Motu Nui à espera de um lendário pássaro, o manutara. Quem primeiro conseguisse transportar um ovo intacto até essa parte da ilha convertia-se em chefe do clã. A etapa seguinte era rapar o cabelo e pintar de branco a cabeça do homem-pássaro, que assumiria a liderança entre os nativos por um ano.


Casas em Orongo - baixas pois só serviam para os rapanui dormirem

A ilha mais afastada é a ilha Moto Nui - a ilha do Homem Pássaro
No primeiro plano pode-se ver gravado nas rochas petroglifos








Nas falésias sobre o Pacifico, o resto de um Moai e uma parede com caracteristicas incas...um mistério!!























sábado, 7 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - VULCÃO RANO KAU

Situado a sudoeste da ilha, esse vulcão teve sua última erupção há cerca de 150.000 a 210.000 anos. Os ataques do oceano Pacífico entalharam altas falésias, transformando o vulcão numa espécie de cidadela.



 Pode-se subir ao topo onde se avista uma imensa cratera de 1,6 km de diâmetro . A cavidade foi preenchida pela água da chuva, que formou lagoas rodeadas por plantas que só ali existem.


Na base do vulcão pode-se chegar a arribas sobre o Pacífico, percorrendo um "sandero"..

Vista aérea do vulcão ( foto cedida pelo guia)



sexta-feira, 6 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - HANGA ROA( 2)

Caminhámos toda a tarde pela zona de Hanga Roa...um passeio prazeroso, talvez pelo contraste com a movimentação dos dia anteriores em Cusco...


De vez em quando apareciam uns simpáticos bancos a convidarem-nos a descansar..


e alertas para não nos atrevermos a tomar banho...


Caminhámos até aos Moais...

este olhava-nos com os olhos bem abertos..
e tinha umas costas bem "modernas" com tatuagens a três dimensões recém recuperadas

Iniciámos o regresso ao centro da "cidade"..... que se avistava ao longe

Os barcos já descansavam depois de um dia de pescaria...
Anoitecia suavemente...como suavemente tudo acontece nesta ilha...
Eram horas de o último surfista abandonar o mar...amanhã seria outro dia...








quinta-feira, 5 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - HANGA ROA (1)

Hanga Roa é a capital mais pequena que alguma vez tinha visto...uma estrada, algumas casas, umas tendas de venda de artesanato, uns restaurantes onde se come ( e bem...) peixe acabado de pescar e...o mar de água fria, onde há sempre alguém a surfar.
No pequeno porto pode-se molhar os pés e os barcos esperam que o mar se acalme..não há pressa...no stress...


No porto encontrámos o primeiro Moai..

Tudo convida a um bom almoço num restaurante sobre o mar...o nome da cerveja fez-nos "descer à terra" e pensar na crise financeira portuguesa/europeia..


O que me cativou neste fim do mundo? a paz... o poder passear calmamente pelo campo " alcatifado de verde" que envolve a cidade, sem movimento, sem estradas, sem trilhos...só mar, céu, nuvens e..algumas estátuas.....


Até  encontrámos uma pedra  cheia de sentimento...gritava ao vento que passa...


Embora não simpatize com  Manuel Alegre como pessoa..esta pedra, para mim, tinha tudo a ver com  a sua Trova do vento que passa...

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre


terça-feira, 3 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - O LOCAL HABITADO MAIS ISOLADO DO MUNDO

Páscoa é uma ilha vulcânica, seu território tem a forma triangular e é o pedaço de terra mais isolado do mundo, no limite da Polinésia Oriental



A geografia de Páscoa sempre representou grandes desafios para seus colonizadores, como até hoje ainda o é. Seu clima, embora quente para os padrões europeus e norte-americanos, é frio para os padrões da maioria das ilhas da Polinésia. Tanto que plantas importantes, como o coco (introduzido em Páscoa somente em tempos modernos), não se desenvolvem bem na ilha, e a fruta-pão (também recentemente introduzida), sendo Páscoa um lugar ventoso, cai do pé antes do tempo. Além disso, o oceano ao redor é demasiado frio e não permite a formação de recifes de coral, tornando a ilha deficiente tanto para peixes e moluscos associados aos atóis de coral, como para peixes em geral (de todas as espécies de peixe existentes, Páscoa possui apenas 127).
Todos esses fatores resultam em menos fontes de alimento. Além do que, a chuva – cuja precipitação média anual é de 1300 mm, aparentemente abundante, infiltra-se rapidamente no solo vulcânico e poroso da ilha. Há, portanto, limitação de água potável. Somente com muito esforço os insulares obtêm água suficiente para beber, cozinhar e cultivar.
Rapa Nui, nome que designa não somente a ilha, como também o povo e a língua locais, não é nem paradisíaca, como os diversos arquipélagos de atóis que salpicam a Polinésia, nem como o safári darwinista das ilhas equatorianas a nordeste. É patrimônio da humanidade e um dos lugares mais intrigantes da Terra.
Mais do que os moais, as estátuas gigantes espalhadas pela paisagem vulcânica que dão fama à ilha, e os mistérios a eles associados, o que impressiona é a existência e a perseverança da comunidade num local tão remoto e com recursos naturais  tão limitados.
Os 5.000 habitantes, dois terços deles rapanuis, vivem quase todos no único povoado da ilha, a diminuta Hanga Roa, onde fica o aeroporto e que serve de base para turistas.


Zona central de Hanga Roa e o seu estádio de futebol..

Há somente uma farmácia, um supermercado e dois pequenos postos médicos na ilha, e qualquer problema de saúde mais grave torna necessário accionar uma ambulância aérea para remover o paciente para hospitais melhor equipados em Santiago.
Há três escolas, uma delas ensina rapanui, mas cursos superiores têm de ser feitos no continente. Do lado de fora  das casas noturnas da vila, os frequentadores amarram os cavalos e vão para a night.

A única estrada, em grande parte asfaltada, dá uma volta parcial à ilha e tem 46 km -equivalente a uma hora de carro sem parar.

Departamento oficial do governo

Apesar de todas estas limitações, a tranquilidade, segurança e mistério que esta ilha transmite é uma mais valia!


segunda-feira, 2 de julho de 2012

CUSCO - A PEDRA DOS 12 ÂNGULOS

Estávamos prestes a partir para Lima e daí para a última etapa desta magnifica viagem - a ilha de Páscoa.
Restava-nos umas horitas para nos despedirmo-nos de Cusco. Ainda empolgados  e cansados pela vista a Machu Picchu  calmamente fomos dar um passeio pela cidade..

Percorrendo algumas ruas de Cusco mais uma vez nos maravilhámos com os muros incas
Os Incas eram exímios trabalhadores da pedra e ao contrário dos egípcios que talhavam o granito em ângulos retos e superfícies planas, os nativos dos Andes, poliam as pedras em curvas suaves, ângulos complexos sem com isso deixar de fazer encaixes perfeitos entre os blocos. Era uma técnica muito mais difícil de ser dominada do que a dos planos precisos usados pelos dos Egípcios. Um dos mais famosos exemplos dessas habilidades é a pedra de 12 ângulos, uma das atrações mais visitada em Cuzco, e que apesar das múltiplas facetas que tem, esta pedra está perfeitamente encaixada na parede do que foi o templo do Sol.





Nostalgicamente regressámos à praça de Armas..



.. estava na altura de comprar umas lembranças.. e de tomar um cafézinho...




Até à vista, Perú!!!!!!!!

sábado, 30 de junho de 2012

MACHU PICCHU -3

Machu Picchu apaixona quem  vem visitar estas ruinas...e é usual ver pessoas em contemplação, em êxtase, emocionadas...

Aos visitantes mais pequenos é necessário explicar-lhes o que estão a ver..para nunca mais  esquecerem...talvez voltem...



A minha emoção provinha de estar admirando uma prova impressionante da capacidade humana. Vemos todos os dias nos mídia notícias sobre como nós seres humanos  somos terríveis: guerras, roubos,  injustiça social, poluição, assassinatos, entre outros. Sinto uma grande vergonha por  pertencer a esta espécie de primatas semi-racionais. Porém, Machu Picchu apaga um pouco essa sensação. Se a nossa espécie foi capaz de construir algo tão belo, então é até possível sentir uma pontinha de orgulho..
Cansadíssimos...mas felizes..









Já sentia uma coisa estranha, essa nostalgia em relação a um lugar que vou lembrar para o resto da vida. Com certeza sentiria saudades do presente que ganhei e não pude guardar na gaveta, só na memória.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

MACHU PICCHU - ZONA SAGRADA

 Na zona sagrada existe uma colina cujos lados foram convertidos em terraços, tomando a forma de uma grande pirâmide de base poligonal.

 No alto dessa colina  e de acesso limitado a um numero mínimo de pessoas encontra-se a pedra Intihuatana ("onde se amarra o Sol") - o calendário solar-, um dos objetos mais estudados de Machu Picchu, que foi relacionada com uma série de lugares considerados sagrados a partir do qual se estabelecem claros alinhamentos entre acontecimentos astronômicos e as montanha circundantes.















Intihuatana é uma espécie de observatório astronômico capaz de prever o dia exato dos solstícios e dos equinócios e foi foi esculpida numa única peça


















Descendo da colina atingimos o  extremo 
norte da cidade.





O extremo norte da cidade é assinalado  por uma rocha sagrada.
É uma pedra de face plana colocada sobre um amplo pedestal e está esculpida  e alinhada com o perfil da montanha situada em frente que devido ao nevoeiro não se conseguiu vislumbrar.


Templo das Três Janelas, cujos muros de grandes blocos poligonais foram foram colocados como um quebra-cabeças


Continuando a descer desta zona alta...



... voltámos a ter uma visão belíssima e diferente sobre a zona urbana



[editar]