sexta-feira, 6 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - HANGA ROA( 2)

Caminhámos toda a tarde pela zona de Hanga Roa...um passeio prazeroso, talvez pelo contraste com a movimentação dos dia anteriores em Cusco...


De vez em quando apareciam uns simpáticos bancos a convidarem-nos a descansar..


e alertas para não nos atrevermos a tomar banho...


Caminhámos até aos Moais...

este olhava-nos com os olhos bem abertos..
e tinha umas costas bem "modernas" com tatuagens a três dimensões recém recuperadas

Iniciámos o regresso ao centro da "cidade"..... que se avistava ao longe

Os barcos já descansavam depois de um dia de pescaria...
Anoitecia suavemente...como suavemente tudo acontece nesta ilha...
Eram horas de o último surfista abandonar o mar...amanhã seria outro dia...








quinta-feira, 5 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - HANGA ROA (1)

Hanga Roa é a capital mais pequena que alguma vez tinha visto...uma estrada, algumas casas, umas tendas de venda de artesanato, uns restaurantes onde se come ( e bem...) peixe acabado de pescar e...o mar de água fria, onde há sempre alguém a surfar.
No pequeno porto pode-se molhar os pés e os barcos esperam que o mar se acalme..não há pressa...no stress...


No porto encontrámos o primeiro Moai..

Tudo convida a um bom almoço num restaurante sobre o mar...o nome da cerveja fez-nos "descer à terra" e pensar na crise financeira portuguesa/europeia..


O que me cativou neste fim do mundo? a paz... o poder passear calmamente pelo campo " alcatifado de verde" que envolve a cidade, sem movimento, sem estradas, sem trilhos...só mar, céu, nuvens e..algumas estátuas.....


Até  encontrámos uma pedra  cheia de sentimento...gritava ao vento que passa...


Embora não simpatize com  Manuel Alegre como pessoa..esta pedra, para mim, tinha tudo a ver com  a sua Trova do vento que passa...

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre


terça-feira, 3 de julho de 2012

ILHA DE PÁSCOA - O LOCAL HABITADO MAIS ISOLADO DO MUNDO

Páscoa é uma ilha vulcânica, seu território tem a forma triangular e é o pedaço de terra mais isolado do mundo, no limite da Polinésia Oriental



A geografia de Páscoa sempre representou grandes desafios para seus colonizadores, como até hoje ainda o é. Seu clima, embora quente para os padrões europeus e norte-americanos, é frio para os padrões da maioria das ilhas da Polinésia. Tanto que plantas importantes, como o coco (introduzido em Páscoa somente em tempos modernos), não se desenvolvem bem na ilha, e a fruta-pão (também recentemente introduzida), sendo Páscoa um lugar ventoso, cai do pé antes do tempo. Além disso, o oceano ao redor é demasiado frio e não permite a formação de recifes de coral, tornando a ilha deficiente tanto para peixes e moluscos associados aos atóis de coral, como para peixes em geral (de todas as espécies de peixe existentes, Páscoa possui apenas 127).
Todos esses fatores resultam em menos fontes de alimento. Além do que, a chuva – cuja precipitação média anual é de 1300 mm, aparentemente abundante, infiltra-se rapidamente no solo vulcânico e poroso da ilha. Há, portanto, limitação de água potável. Somente com muito esforço os insulares obtêm água suficiente para beber, cozinhar e cultivar.
Rapa Nui, nome que designa não somente a ilha, como também o povo e a língua locais, não é nem paradisíaca, como os diversos arquipélagos de atóis que salpicam a Polinésia, nem como o safári darwinista das ilhas equatorianas a nordeste. É patrimônio da humanidade e um dos lugares mais intrigantes da Terra.
Mais do que os moais, as estátuas gigantes espalhadas pela paisagem vulcânica que dão fama à ilha, e os mistérios a eles associados, o que impressiona é a existência e a perseverança da comunidade num local tão remoto e com recursos naturais  tão limitados.
Os 5.000 habitantes, dois terços deles rapanuis, vivem quase todos no único povoado da ilha, a diminuta Hanga Roa, onde fica o aeroporto e que serve de base para turistas.


Zona central de Hanga Roa e o seu estádio de futebol..

Há somente uma farmácia, um supermercado e dois pequenos postos médicos na ilha, e qualquer problema de saúde mais grave torna necessário accionar uma ambulância aérea para remover o paciente para hospitais melhor equipados em Santiago.
Há três escolas, uma delas ensina rapanui, mas cursos superiores têm de ser feitos no continente. Do lado de fora  das casas noturnas da vila, os frequentadores amarram os cavalos e vão para a night.

A única estrada, em grande parte asfaltada, dá uma volta parcial à ilha e tem 46 km -equivalente a uma hora de carro sem parar.

Departamento oficial do governo

Apesar de todas estas limitações, a tranquilidade, segurança e mistério que esta ilha transmite é uma mais valia!


segunda-feira, 2 de julho de 2012

CUSCO - A PEDRA DOS 12 ÂNGULOS

Estávamos prestes a partir para Lima e daí para a última etapa desta magnifica viagem - a ilha de Páscoa.
Restava-nos umas horitas para nos despedirmo-nos de Cusco. Ainda empolgados  e cansados pela vista a Machu Picchu  calmamente fomos dar um passeio pela cidade..

Percorrendo algumas ruas de Cusco mais uma vez nos maravilhámos com os muros incas
Os Incas eram exímios trabalhadores da pedra e ao contrário dos egípcios que talhavam o granito em ângulos retos e superfícies planas, os nativos dos Andes, poliam as pedras em curvas suaves, ângulos complexos sem com isso deixar de fazer encaixes perfeitos entre os blocos. Era uma técnica muito mais difícil de ser dominada do que a dos planos precisos usados pelos dos Egípcios. Um dos mais famosos exemplos dessas habilidades é a pedra de 12 ângulos, uma das atrações mais visitada em Cuzco, e que apesar das múltiplas facetas que tem, esta pedra está perfeitamente encaixada na parede do que foi o templo do Sol.





Nostalgicamente regressámos à praça de Armas..



.. estava na altura de comprar umas lembranças.. e de tomar um cafézinho...




Até à vista, Perú!!!!!!!!

sábado, 30 de junho de 2012

MACHU PICCHU -3

Machu Picchu apaixona quem  vem visitar estas ruinas...e é usual ver pessoas em contemplação, em êxtase, emocionadas...

Aos visitantes mais pequenos é necessário explicar-lhes o que estão a ver..para nunca mais  esquecerem...talvez voltem...



A minha emoção provinha de estar admirando uma prova impressionante da capacidade humana. Vemos todos os dias nos mídia notícias sobre como nós seres humanos  somos terríveis: guerras, roubos,  injustiça social, poluição, assassinatos, entre outros. Sinto uma grande vergonha por  pertencer a esta espécie de primatas semi-racionais. Porém, Machu Picchu apaga um pouco essa sensação. Se a nossa espécie foi capaz de construir algo tão belo, então é até possível sentir uma pontinha de orgulho..
Cansadíssimos...mas felizes..









Já sentia uma coisa estranha, essa nostalgia em relação a um lugar que vou lembrar para o resto da vida. Com certeza sentiria saudades do presente que ganhei e não pude guardar na gaveta, só na memória.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

MACHU PICCHU - ZONA SAGRADA

 Na zona sagrada existe uma colina cujos lados foram convertidos em terraços, tomando a forma de uma grande pirâmide de base poligonal.

 No alto dessa colina  e de acesso limitado a um numero mínimo de pessoas encontra-se a pedra Intihuatana ("onde se amarra o Sol") - o calendário solar-, um dos objetos mais estudados de Machu Picchu, que foi relacionada com uma série de lugares considerados sagrados a partir do qual se estabelecem claros alinhamentos entre acontecimentos astronômicos e as montanha circundantes.















Intihuatana é uma espécie de observatório astronômico capaz de prever o dia exato dos solstícios e dos equinócios e foi foi esculpida numa única peça


















Descendo da colina atingimos o  extremo 
norte da cidade.





O extremo norte da cidade é assinalado  por uma rocha sagrada.
É uma pedra de face plana colocada sobre um amplo pedestal e está esculpida  e alinhada com o perfil da montanha situada em frente que devido ao nevoeiro não se conseguiu vislumbrar.


Templo das Três Janelas, cujos muros de grandes blocos poligonais foram foram colocados como um quebra-cabeças


Continuando a descer desta zona alta...



... voltámos a ter uma visão belíssima e diferente sobre a zona urbana



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quinta-feira, 28 de junho de 2012

MACHU PICCHU - A ZONA URBANA



Um muro de cerca de 400 metros de comprimento divide a cidade da área agrícola. Paralelo ao muro corre um fosso usado como principal drenagem da cidade. No alto do muro está a porta de Machu Picchu que contava com um mecanismo de fechamento interno.
O trajecto dentro das ruínas é um sobe desce constante mas  como as grandes atracções estão mesmo em baixo, no sector urbano caminhámos para essa zona..


O Templo do Sol é acessível por uma porta dupla, que permanecia fechada (há restos de um mecanismo de segurança). A edificação principal é conhecida como "Torreón", de blocos finamente lavrados. Foi usado para cerimônias relacionadas com o solstício de Verão


Zona Sagrada-é chamado assim o conjunto de construções dispostas em torno de um pátio quadrado. Todas as evidências indicam que o lugar estava destinado a diferentes rituais. Inclui dois dos melhores edifícios de Machu Picchu, que são formados por rochas trabalhadas de grande tamanho: O Templo das Três Janelas, cujos muros de grandes blocos poligonais foram  postos como um quebra-cabeças, e o Templo Principal, de blocos mais regulares, que se crê que foi o principal recinto cerimonial da cidade. Junto a este último está a chamada casa do sacerdote, ou câmara dos ornamentos.





Na zona vedada sacerdotes incas estudavam os astros reflectidos em "espelhos" obtidos com água
colocada nesses depósitos


 Duas fotos da Zona Sagrada e o  pátio quadrado





















terça-feira, 26 de junho de 2012

MACHU PICCHU - ZONA AGRÍCOLA



Tiradas as primeiras fotos do incrível panorama, o guia começa as explicações. Escolhemos andar pelo caminho completo, o mais longo dentro das ruínas. Primeiro começamos pela parte agrícola, na qual os Incas fizeram degraus na encosta da montanha para usá-los como área de cultivo. São estruturas formadas por um muro de pedra e preenchidas com diferentes capas de material (pedras grandes, pedras menores, cascalho, argila e terra de cultivo) que facilitam a drenagem, evitando que a água se empoce (leve-se em conta a grande pluviosidade da região) e desmorone sua estrutura.
Cinco grandes construções localizam-se sobre os terraços ao leste do caminho inca que chega a Machu Picchu pelo sul. Foram utilizados como armazéns.


É tudo muito verde em contraste com as pedras cinzas. A construção de Machu Picchu durou cem anos, não havia pressa em terminar. Provavelmente tinha uma função militar, seria um  local para vigiar a região. Todas as construções feitas na cidade usaram pedras que já estavam lá no topo do morro. Os 500 moradores tinham tudo o que precisavam, incluindo água e comida em abundância. Por causa da sua localização, devidamente escolhida depois de muitas observações meteorológicas, o tempo bom para plantar é sempre bom. Sem esse pré-requisito, seria impossível viver em Machu Picchu, uma vez que a irrigação convencional não é viável.



Uma cidade de pedra construída no alto de um istmo entre duas montanhas e entre duas falhas geológicas, em uma região submetida a constantes terramotos e, sobretudo a constantes chuvas durante todo o ano  apresenta um desafio para qualquer construtor: evitar que todo o complexo se desmorone.Mas o segredo da longevidade de Machu Picchu e a drenagem... O solo das áreas não trabalhadas possui um sistema de drenagem que consiste em capas de pedras trituradas e rochas para evitar o empoçamento da água das chuvas. 129 canais de drenagem  estendem-se por toda a área urbana, feitos para evitar a erosão, desembocando em sua maior parte no fosso que separa a área urbana da agrícola.



domingo, 24 de junho de 2012

MACHU PICCHU - 2


 E Machu Picchu  apareceu na minha frente, repentinamente , envolta num manto de neblina que talvez ainda lhe desse mais encanto e mistério... Lembrei-me da célebre frase de Eça de Queiroz, que muito aprecio...
"Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia. "











Basicamente os Incas construíram a cidade toda na ponta de uma montanha bem íngreme. . Então de cima, quando se observa Machu Picchu bem ao centro, toda a visão  é tomada pela imagem das ruínas. Agora, mal olhamos um pouco para qualquer lado, esquerda ou direita, já só se vê enormes abismos.