Depois de muitas horas de viagem chegámos à capital do Peru.
A primeira boa impressão foi o excelente clima, com uma bela temperatura e apesar de algumas nuvens no céu a quase certeza de que nunca chove em Lima...
Hospedados no bairro Miraflores ( um dos zonas com mais prestigio da cidade) começámos por visitar o Parque do Amor, uma das mais
concorridas áreas verdes com vista para o Oceano Pacífico
O Parque do Amor
chama a atenção pelos sinuosos bancos decorados com mosaicos coloridos
inspirados no Parque Güell, uma das maravilhas arquitectónicas desenhadas por
Gaudí para Barcelona.Sinceramente não apreciei muito ...é bonito, mas não passa de uma cópia com falta de contexto...
Neste parque peruano,
há ainda a escultura gigante "El beso" ("O beijo"), de
Victor Delfin. O monumento confere um toque kitsch ao lugar..
Como foi inaugurado em 1993, este é um dos beijos mais longos do mundo...beijam-se há 19 anos..é obra!!
Desembarcámos no lado norte da Ilha de Santa Cruz, em Playa Bacha.
Esta
praia é o centro mais importante de ninhos de tartarugas marinhas do
arquipélago e é um paraíso!!
Atrás
da praia encontram -se duas pequenas lagoas habitadas por flamingos, iguanas,
aves marinhas e gaivotas que também são servidos por uma
vegetação endêmica e nativa do lugar, como mangues vermelhos e pretos e
arbustos. Mas é sina minha não conseguir ver flamingos..naquele dia tinham voado para outro lado..nem um... Encontrámos iguanas marinhas que são bem mais feias que as terrestres..
As belas lagoas na parte de trás da praia..mas sem flamingos...
Não resistimos e fomos tomar banho..a água estava óptima Tudo estava sereno e adorámos a companhia de uma tartaruga a nadar connosco..mas quando apareceu um tubarão com 1m , saí da água, apesar de garantirem que aquela espécie não fazia mal. Mas pelo sim pelo não...
Talvez tivesse sido preferível ter ficado na água. Tinham-nos avisado que molhados seriámos atacados por moscas enormes que nos iriam morder até fazer sangue..não tinha acreditado pois nem uma mosca era visível...engano meu!! O guia tinha razão e tivemos que recolher rapidamente ao barco enquanto fiozitos de sangue escorriam pelas pernas...
Estava na hora de embarcarmos...na hora de dizer adeus às Galápagos.
Senti-me uma privilegiada por ter tido oportunidade de conhecer estas ilhas.
O primeiro terço da viagem estava cumprido...no dia seguinte estaríamos de partida para Lima capital do Perú.
As fragatas são aves cujo nome está relacionado com o seu hábito de assaltar outras aves marinhas, tal como as fragatas de guerra ( navios).
As fragatas são aves de grande porte, com asas compridas e estreitas que representam a menor superfície de asa por unidade de peso do mundo das aves. Têm cerca de 1 metro de comprimento, mais de dois de envergadura e uma cauda longa e bifurcada. A sua plumagem é geralmente preta ou preta e branco e os macho apresentam um com saco gular vermelho.
As fragatas não conseguem andar em terra, nadar nem levantar voo de uma superfície plana. São por isso aves pelágicas que só pousam em penhascos durante a época de reprodução. São no entanto aves extremamente rápidas em voo picado sobre o mar ou sobre outras aves.
Nas ilhas Plazas existem colónias destas aves e assisti a uma história de amor ..
Uma bela fêmea estava a ser assediada por dois machos que se tentavam superar mostrando os seus atributos...
Enquanto um mostrava a envergadura das suas asas, dizendo:
- Vê..são grandes para te aconchegar no meu peito e para que tu possas ter um bom ombro para te apoiares nas horas amargas..
O outro dizia:
- Ouve o meu canto..posso embalar-te e fazer-te sonhar sempre que precisares de mim..
Mas ela mantinha-se indecisa....até que o cantor, desesperado e cansado, anunciou ao seu persistente rival:
- Fica com ela!! Desisto!! Detesto mulheres indecisas! Além disso ela, afinal, não é tão bonita assim...vou procurar melhor...
Se o disse..assim o fez..
Enfim sós...começaram a construir o ninho e foram felizes para sempre ( será?)...
Outro dia...outra viagem..hoje até às ilhas Plazas. Desembarcámos no canal que fica entre as duas ilhas num mar cheio de raias manta.
Mais uma vez o desembarque foi feito através de lanchas...mais uma vez aceitei a mão de todos (voluntários e não só...)
Ainda na lancha rodeámos um pouco a ilha para observarmos uma colónia de uns pássaros que achei lindíssimos devido à cor das suas patas - Booby de patas azuis.
Tirei duas fotos minimamente apresentáveis...e não foi fácil, pois tinha que me segurar, a minha câmara é pesada e havia ondulação...
As estrias brancas nas rochas são devidas à acumulação de excrementos desta colónia de Boobys
Numa rocha a mãe leoa brincava com a sua cria...
Estávamos a ser sobrevoados por outras aves pouco amistosas
Enquanto almoçávamos o iate foi-se aproximando de uma enseada com água verde esmeralda da ilha de Stª Cruz.
Esta enseada é segura- dizia o guia- não há perigo de aparecerem tubarões. Por isso quem quiser pode fazer snorkeling
- snorkeling? agora? acabámos de almoçar?
- A água está a uma boa temperatura ..e não vão esquecer este mergulho..
Pois..pensei eu..se sobrevivermos para o recordar..eu não vou!! mas não gosto de ficar para trás e vi que todos se preparavam para mergulhar...vacilei. Tinha um outro problema..não tinha trazido fato de banho!!
- Mas quem é que vem para um sítio destes sem fato de banho????? perguntava o meu marido incrédulo..ele tinha razão mas a mala tinha sido feita tão a correr...desculpas..
Antes de tomar uma decisão resolvi esperar pela reacção dos primeiros passageiros que se tinham atirado ao mar. Morreram? Não! nadavam calmamente..
A tentação era cada vez maior e não resisti..vesti uns calções ( grandes e compridos..) do meu marido e com uma Tshirt achei que podia tentar. Dificilmente vou esquecer a cara do guia quando me viu aparecer com aqueles trajes..deve ter achado que pertencia a uma religião especial..
Não confiou em mim quando lhe disse que nadava bem..
-Olhe que não há pé..é fundo..vamos ajudá-la.
- Não é preciso, garanto-lhe
Mas com o aspecto de bimba com que eu devia estar ( nem olhei para o espelho para não desanimar..) ele não acreditou e um dos marinheiros foi para a água para me ajudar...só que nado mesmo bem e senti-me um pouco "vingada" pela minha triste figura.
E valeu a pena!!!!!! Vimos uma bela diversidade de peixes multicolores ..fantástico..inolvidável!!
Voltámos para o barco e regressámos ao hotel..Mas que belo dia tínhamos passado!!!
Fomos espreitar o outro lado da ilha de Seymour que é bem mais abrupto e rochoso, com penhascos sobre o mar
A vida é intensa nesses penhascos..saris de cor intensa passeiam
Vou fugir..está ali uma chata a tirar fotos..
Escapei...aqui ninguém me vê...
Sobre as rochas era grande a azáfama dos leões marinhos..uns iam pescar, outros regressavam e iam descansar
Gaivotas de penas acinzentadas, patas vermelhas e os olhos delineados por um círculo vermelho ou mimavam os filhotes ou alimentavam-se de belas lulas que tinham acabado de pescar..
Cuidando do filhote
Estava saborosa esta lula..
Estava na hora do nosso almoço..peixe acabado de pescar. Iniciámos, então o regresso ao barco
Vimos ainda uma iguana com um colorido fantástico..
Começámos a subida da ilha de Seymour por meio de rochedos mas a paisagem foi variando pois a vegetação começou a rarear e o piso tornou-se mais seco ( e suave...finalmente). Apareceram, então os cactos..
Quando nos aproximávamos destes cactos vimos que à sua sombra estavam deitadas indolentemente iguanas terrestres esperando pacientemente que os figos dos cactos caíssem para os comerem...
Outras, cansadas de esperar pelos figos íam petiscando alguma vegetação..
Eram enormes e aceitavam muito bem a nossa presença
Quando atingimos o topo da ilha( a ilha não é muito alta..) a vista panorâmica que se vislumbrava era muito bonita pois as rochas vulcânicas pretas delineavam a ilha separando o verde dos vários tons de azul do mar
Depois de chegarmos ao topo fomos conhecer o outro lado da ilha...
Depois de uma noite de recuperação ( bem necessária..) logo de manhã voltámos ao canal de Itabaca para apanhar o iate que nos conduziria à ilha de Seymour que é uma das ilhas com maior biodiversidade desta zona.
e a luta foi feroz...o da direita não aguentou e afastou-se "resmungando"
Foi um dos muitos momentos mágicos a que assisti nestas ilhas...tive que me beliscar pois parecia que estava a ver uma reportagem do mundo animal na tv...mas não..o calor, a humidade, os grunhidos e toda a envolvência fizeram-me despertar e continuar o percurso por esta ilha.
Apaixonei-me pelo doçura deste outro leão marinho..como me apetecia fazer-lhe uma festa...
Deixámos para trás esta colónia de leões e iniciámos a subida da ilha Seymour...
Caminhámos até à estação Cientifica de Darwin e oq ue me valeu é que o trilho era bem mais fácil..e era ladeado por cactos gigantes que não existem em mais nenhuma ilha das Galápagos, o que é incrível pois a ilha vizinha é muito perto e já tem caracteristicas totalmente diferentes..cada ilha é um mundo isolado com animais, vegetação e características próprias.
As Tartarugas Gigantes de Galapagos são as maiores tartarugas terrestres que existem atualmente, são conhecidas diversas subespécies. Existiam 14 subespécies de Tartaruga Gigante de Galapagos antes da descoberta das Ilhas pelo homem mas hoje em dia somente 11 subespécies sobreviveram. Os grandes vilões dessa história são os marinheiros de navios caçadores de baleias e pescadores, que ao passarem pelas ilhas formavam estoques enormes de tartarugas, pois elas garantiam comida por um longo período de tempo, pois as tartarugas gigantes poderiam sobreviver por mais de um ano dentro de navios sem comida e sem água. Geralmente eram levadas primeiramente as fêmeas, pois elas são menores que os machos e podiam ser encontradas com maior freqüência próximas ás costas durante as temporadas de desova, até Charles Darwin chegou a comer algumas Tartarugas Gigantes de Galapagos
O golpe final que extinguiu diversa das subespécies foi a inclusão de mamíferos nas Ilhas de Galapagos. Propositadamente foram adicionadas cabras nas ilhas nos anos de 1950 como fonte de alimento alternativa para os marinheiro. Estas tornaram-se concorrentes directas das tartarugas, pois alimentavam-se das mesmas plantas e como a população de cabras cresceu rapidamente, ocorreu uma destruição da vegetação e uma grande erosão nos solos.
Porém em 1959 foram criados O Parque Nacional de Galapagos e a Fundação Charles Darwin, que a partir de 1965 vem conseguindo recuperar com seus programas a população de Tartarugas Gigantes de Galápagos. Aí os ovos são incubados artificialmente e as tartaruguinhas são criadas até atingirem 20 centímetros de comprimento de carapaça Nessa altura já podem ser soltas nas ilhas de origem.
Mas o mais conhecido habitante desta estação cientifica é o solteirão e solitário George
George tem idade estimada entre 60 e 90 anos. Em todos esses anos, os pesquisadores já tentaram de tudo para ele se reproduzir, de inseminação artificial a fazê-lo assistir a outro macho mais jovem copular.
No ano passado, cientistas encontraram um exemplar da ilha Isabela, vizinha à Pinta, que teria metade dos genes em comum com George. Isso sugere que haja um outro animal da subespécie vivo entre os mais de 2.000 encontrados em Isabela.
A subespécieGeochelone nigra abingdoni, encontrada na ilha Pinta (ou Abingdon) do arquipélago, só tem um representante conhecido (George) e é considerada extinta na natureza.
Solitário George
Senti pena do George...com quase 90 anos e pouca esperança de vir a ter companhia, embora haja notícias de possível acasalamento que no entanto ainda não deu qualquer fruto....